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O futuro não é um desejo – Meios & Publicidade

Pedro Norton Durante anos, enquanto profissional da indústria, defendi a ideia de que os jornais deviam evitar a tentação do “desencapsulamento” (segundo a academia das ciências de Lisboa a palavra

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O futuro não é um desejo – Meios & Publicidade

Agência de Propaganda em Santos



Pedro Norton

Blog - Durante anos, enquanto profissional da indústria, defendi a ideia de que os jornais deviam evitar a tentação do “desencapsulamento” (segundo a academia das ciências de Lisboa a palavra nem sequer existe, o que diz muito da nossa tendência para falar em jargões profissionais incompreensíveis). A ideia, em teoria, era fácil de explicar: um jornal é um todo que não pode ser consumido às postas. Tem uma curadoria própria, uma coerência una, uma linha editorial diferenciadora, uma marca sacrossanta, e mais um sem número de ideias que, à época, me pareciam sólidas.

Serviços - Há pouco mais de um ano – já enquanto leitor ávido de informação sem a responsabilidade de gerir um grande grupo de media – tropecei numa plataforma que me obrigou a reconhecer quão defensivo e  autojustificativo era o meu raciocínio. A Blendle é uma startup holandesa apoiada financeiramente pelo New York Times e pela Axel Springer. Não é apenas mais um tradicional newsstand digital. Na sua oferta estão presentes boa parte dos principais jornais e revistas publicados na Holanda, na Alemanha e nos EUA. Mas ao contrário dos newsstands tradicionais, ao invés de cobrar por assinaturas de títulos, cobra – através de uma solução eficaz de micropagamento – pelo consumo de artigos individuais. Para um leitor fanático mas angustiado pela falta de tempo para ler a The Economist à sexta,  o FT ao fim-de-semana, o New York Times todo o santo dia e a New Yorker sabe-se lá quando, a solução é um ovo de Colombo com a vantagem psicológica de nos poupar ao muito judaico-cristão complexo de culpa de ver jornais e revistas a acumular-se, intocados, na mesa de cabeceira. Com duas vantagens adicionais para o leitor. A primeira é a política de refund integral. Basta invocar que não se gostou do artigo e .. voilá! Os 0,25 dólares (os preços são diferenciados por artigo) voltam à carteira. A segunda é o facto de a Blendle ser pensada para uma leitura social. Todos os artigos são obviamente partilháveis mas, mais relevante, posso seguir as tendências de leitura do momento.

Estágio em agência de publicidade de Santos - Lançada com uma evidente inspiração no modelo iTunes (com 70 por cento das receitas a serem devolvidas aos editores) a Blendle ensaia a evolução para o modelo Spotify: 9.99 dólares por mês e acesso a 20 artigos por dia.

Procura-se ADM/Tráfego - Dizem os seus promotores que “at Blendle, we think that unbundling of journalism is the Holy Grail in getting young people to pay for journalism again.” Eu, com toda a franqueza, não sei se será. Até porque já não qualifico exactamente como young people. Mas sei que, como consumidor, a proposta de valor é muito mais atractiva do que a das subscrições tradicionais. Sei que, como consumidor, a proposta de unbundling faz todo o sentido.

Contato - O ponto relevante aqui é que, humildemente, reconheço o meu erro. Os nossos raciocínios, enquanto profissionais do sector, confundem muitas vezes a capacidade fria de previsão  do futuro com os nossos desejos pios sobre a forma como gostaríamos que o futuro se apresentasse. Acontece que enquanto não deixarmos de pensar defensivamente o futuro como desejo, dificilmente nos prepararemos para o que ele realmente será.

Criação de Aplicativos em Santos - * Pedro Norton

Fonte: http://www.meiosepublicidade.pt/2018/10/futuro-nao-um-desejo/

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